quarta-feira, 4 de junho de 2014

A Primavera chegou (mesmo que chova)

Toda a gente sabe que a Primavera chega sempre em finais de Maio, princípios de Junho. A de 2014 começa oficialmente amanhã e dura 3 dias. E se chover (que choverá), saberá a maná. Ainda não começou, e eu já estou com saudades.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Festa na Bela Vista

Ontem os Arcade Fire fizeram de mim um homem (amostra, vá) feliz. Que tenha sido no Rock in Rio, e que esse facto tenha afastado muita gente de os ir ver, tanto me faz. São as bandas que me interessam; não onde tocam (embora pese o facto de isso poder afectar a sua prestação). E o facto de terem tocado num "festival" que pouco ou nada tem a ver com este tipo de sonoridades não afectou em nada o grande concerto que deram.

Podem desagradar a adeptos mais devotos da sonoridade original, ou aqueles que acham que por tocarem num festival "supermercado" como o Rock in Rio, se venderam. Mas quantas são as bandas que, sem perderem a identidade original, conseguem chegar a onde eles chegaram?

Um mestre de cerimónias (com uma voz meio manhosa) anuncia a entrada dos grandes Arcade Fire, enquanto um "boneco" Reflektor desce o slide. E uma data de gente entra em palco, para logo se atirarem a essa mesmo Reflektor. Multidão em êxtase desde o primeiro minuto. O último álbum tornou a música dos Arcade Fire dançável, o que Flashbulb Eyes continuou a comprovar. Era hora de seguir para onde tudo começou, e Neighborhood #3 (Power Out) e Rebellion (Lies), do álbum onde tudo começou (e um dos álbuns da minha vida), servidas com roupagens ligeiramente diferentes (mais a ver com Reflektor) levam a multidão (eu incluído) ao delírio. É preciso ser uma grande banda para servir duas das suas canções maiores logo ao início, sem que o concerto se esgote ai. E não se esgotou. Pouco conversadores (o que não significa indiferentes), Win Butler anuncia, em português, "uma canção sobre saudade", The Suburbs, tocada ao piano por Win e a abrandar um pouco o ritmo, a que se segue Ready to Start. Neon Bible não fica esquecido (apesar de pouco  utilizado) com My Body is a Cage. Regresso às origens com Neighborhood #1 (Tunnels), e a No Cars Go, anunciada assim mesmo como No Cars Go. E No Cars Go é bem capaz de ser uma das melhores canções de sempre. Aquele lado épico dos Arcade Fire, nunca escondido, atinge aqui um dos seus lados maiores, com a multidão (talvez a mais pequena de sempre do Rock in Rio) a entoar com a banda os uh uhhhs que nos arrepiam os pêlos dos braços. E depois é tempo para a Régine encantar com a sua voz e atitude de menina, a lembrar que podemos ser crianças para sempre se quisermos. O concerto entra na sua fase final, com We Exist e Afterlife, e a festa está mais que instalada. Os corpos balançam, as pernas saltam, as cabeças abanam, e queremos que aquilo dure para sempre. E assim continuam com It's Never Over (Oh Orpheus). Não há bola de espelhos por cima do público, mas eu dancei como se lá estivesse. Sprawll II (Mountains beyond Mountains), com o som no seu melhor estado (nota negativa para o mau som que assolou grande parte do concerto, ora estando baixo, como no início, ou a não deixar ouvir os pormenores das cordas e da percussão haitiana que os acompanha) e tempo para a Régine nos voltar a embalar, com a sua voz meiga. Foi a canção que mais me encantou, e nem sequer precisou de ser efusiva. Bastou ser genuína.

Os encores já não são o que eram. Agora não são mais do que uma formalidade, na maioria dos casos (pois estão previstos desde o principio). Mas os Arcade Fire fazem-no de forma diferente. Embora seja feita uma pausa, não saem de palco. Entra, até mais gente, quais cabeçudos do Carnaval de Torres, com  os rostos dos elementos da banda. E volta-se a fazer a festa. Here Comes the Night Time, a puxar até, a partes, ao kuduro, e voltamos todos a dançar. Até a Lorde andou em palco a divertir-se com os seus amigos. A terminar a cerca de 1h45 de concerto, a inevitável Wake Up, a ser cantada em uníssono, em perfeita comunhão entre banda e público. Nem todos o conseguimos, mas no que depender de mim, e com a ajuda dos Arcade Fire, vou querer seguir o conselho por eles dado na Wake Up: "Children, don't grow up!!".

Até à próxima, amigos.

PS: Só para expressar o meu contentamento por a música pop (não gosto de catalogar a música, mas assim fica mais fácil perceberem que falo da música mais associada aos sucessos radiofónicos) ter por estes dias alguém como Lorde que, dos seus 17 anos, é já uma senhora capaz de aguentar um palco daquele tamanho praticamente sozinha, sem para isso colocar a sua música em risco. Gosto de ti, Lorde.