domingo, 23 de fevereiro de 2014

Mercado e Lavadouro na Flandres

Hoje fui ao Museu Nacional de Arte Antiga, ver a exposição "Rubens, Brueghel, Lorrain - A Paisagem Nórdica do Museu do Prado". Estava espantado com um "simples" quadro de Jan Brueghel, o Velho, a meias com Joos de Momper, de seu título "Mercado e Lavadouro na Flandres", quadro este do qual nunca tinha ouvido falar. De um lado, o mercado. Do outro, a roupa a secar e a corar, como explicado na legenda do quadro. A separar estas duas situações, uma grande árvore. Eu estava fascinado.
A meu lado aproxima-se um senhor já algo idoso, perto dos seus 80 anos, barbas brancas, um pouco marreco. As suas palavras são: "Espectacular!". Fala baixinho, julgo que com a sua neta (confesso que também ela me chamou à atenção), dissertando um pouco sobre o quadro, as cores, a floresta, mas consigo apanhar outra expressão dele como "impressionante!". O quadro fascinou-me mas a alegria do senhor comoveu-me.


Não sendo nenhum entendido (nem pouco mais ou menos), não posso deixar de (independentemente da relevância dos quadros expostos) elogiar as entidades que trouxeram algo assim a Portugal. Parece-me ser um bom exemplo das chamadas parcerias público-privadas (ver em que bases aqui). Para quem gosta de museus, arte, pintura, falhar a exposição é dizer não a mais iniciativas destas (digo eu na minha radicalidade, pois a exposição ainda são 6 euros).
Sinto-me, no entanto, algo enganado, não pelo que é exposto, mas pelos três pintores escolhidos para lhe dar nome. De Lorrain, que eu contasse, estão lá apenas 2 quadros; de Rubens, apenas 1, a que se juntam 2 em parceria. Os Brueghel são os únicos (entre Velho e Novo) largamente representados. Mas percebo o recurso a estes 3 nomes: os restantes pintores retratados não são tão conhecidos, e dizer apenas que os quadros vinham do Prado podia não ser suficiente. Ainda assim, são 57 os quadros apresentados, e razões para contentamento não faltam.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Corda Bamba



So you're wishing that you never did
All the embarrassing things you've done
And you're wishing you could set it right
And you're wishing you could stay the night


in Tightrope
Yeasayer

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A Lei da Conservação da Violência

"Mas existe uma lei que é simples - a lei da conservação da violência. Tão simples como a lei da conservação da energia. A violência é eterna, por mais que se faça para a liquidar, não desaparece, não diminui, apenas se modifica. Ora está na escravidão, ora na invasão tártaro-mongol. Ora se muda de continente para continente, ora se torna violência de classes, ora passa a ser racista, ora se transfere da esfera material para a religiosa, ora atinge as pessoas de cor, ora os escritores e artistas. Mas a quantidade geral da violência mantém-se sempre igual na terra (...)."

in Tudo Passa
Vassili Grossman

Podia dissertar sobre estas palavras, mas acho que não vale a pena. Elas falam por si.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O Nascimento e a Morte do Dia


Os Explosion in the Sky são um grupo texano, etiquetado como post-rock. Alguns acusam-nos de os seus últimos álbuns serem mais do mesmo, guitarras ao alto, guitarras a baixo, de não serem tão aventureiros como os Mogwai, de não terem tantos drones como os GY!BE, etc, etc.

Mas poucas músicas podem, sem dizerem nada, dizer tanto como esta,. E sempre que a oiço, penso que a vida parece só trevas, como no início, mas se procurarmos bem, existe sempre alguma esperança. 
Recorro a um (bom) cliché para dar início a este blog:

Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida...

Este blog é criado como meio de eu poder falar e simultaneamente me poder ouvir. Não espero que ninguém o leia, cite ou comente. Se alguém o fizer, é porque não ficou à espera, mas procurou.

Irá ser essencialmente sobre música. Não terão reviews nem será um blog de música convencional. Visa apenas eu citar músicas, contar histórias relacionadas com música e vez por outra partilhar a minha visão sobre determinado concerto a que assisti.

Poderão, ocasionalmente, encontrar referências a livros, filmes, séries e assuntos do dia-a-dia, que me dizem alguma coisa.

Espero que gostem (ou pelo menos não desgostem).