terça-feira, 22 de setembro de 2015

Ferro e Vinho Acima das Montanhas

O titulo deste post é parvo, eu sei, mas não havia nada melhor à mão. Acho que já muita gente deve saber que Iron&Wine vai, finalmente, estrear-se em Portugal. O projecto desse mago que é Sam Beam será apresentado em Lisboa, no Tivoli, a 1 de Novembro (será coincidência ser Dia de Todos os Santos?) e, no dia seguinte, no Porto, na Casa da Música. Ou então não sabem, e ficam a saber. Porque é que isto devia ser notícia de abertura de todo e qualquer noticiário, jornal, revista, etc.? Porque é um dos melhores singer-songwriters (percebo bué de música, eu) que já existiram. Não acreditam? Basta um exemplo:

Upward Over the Mountain consta do seu primeiro álbum "The Creek Drank the Cradle" e é essa musica banal presente no video abaixo. Tão banal que é capaz de ser uma das melhores canções de todos os tempos. Escutai-a e tirai as vossas conclusões.


So may the sunrise bring hope where it once was forgotten


Como se isso não bastasse, Iron&Wine é tão mau músico que, ao vivo, e como se não bastasse a música já ser banal, ainda consegue torná-la nesta coisa (que quando a ouvi pensei estar a ouvir outra música, e os pelinhos arrepiaram-se outra vez - sim, acontece-me muita vez ao ouvir música):



Pois, vá, com banda a acompanhar e outros arranjos, até eu consigo tocar qualquer coisa. Aposto que ele sozinho, só com guitarra, não se deve desenrascar. Já agora, tirem as vossas conclusões (e não se deixem influenciar pelo segundo comentário dos utilizadores do Youtube que diz "this one's called 'one of the best songs ever written'"):


E este post não foi pensado para sair assim, mas acabou por sair. Apeteceu-me. Sim, se Deus quiser, lá estarei para ver este gajo. Obrigado por o trazerem cá, numa sala a condizer. Se quiserem, façam o teste com outras músicas, para não acharem que este está viciado. The Trapeze Singer, por exemplo. Ou a The Sea & The Rhythm. Ou a versão para a Such Great Heights, dos Postal Service. Ou...

Iota (um bocadinho muito pequeno) pt. 2

Já foi no dia 8, eu nada digo desde o dia 20.08, foi depois anunciado um concerto "surpresa" no dia 9 (aí sim, na verdadeira ZdB), mas não consigo ficar calado. A Angel Olsen deu um concerto do caraças, a sua voz é portentosa e magnífica (diria até que tem o seu quê de fadista), a banda e
mais do que competente, e, já disse que quando ela canta, devia ser proibido todo e qualquer som que não o da sua voz? Não. Então digo agora: devia ser proibido todo e qualquer som que não a voz da Angel Olsen quanto ela canta.

A "sala" (pátio) que alberga a Trienal de Arquitectura de Lisboa (o mesmo espaço onde Rodrigo Amarante tocou o ano passado) estava cheio, noite amena, tudo sentadinho à espera da estreia desta Menina Senhora em Portugal (na verdade, em Lisboa, pois dois dias antes tocou em Guimarães). Atrasou-se ligeiramente, mas nada de grave. Não, não deixou Hi-Five (a canção sobre a solidão mais festiva de todos os tempos) para o fim (serviu-a logo como segunda música) e foi intervalando o primeiro com o segundo álbum. Houve Lights Out, Forgiven/Forgotten, Sweet Dreams, Unfucktheworld, Acrobat, etc.

Ao contrário do que eu estava à espera, o público não se mostrou muito conversador. Ela bem tentou, lançou piadas sobre outros concertos, onde as pessoas pedem "toca aquela, despacha-te, tenho de apanhar o autocarro", etc, e onde ela disse "se vives para o autocarro, apanha a m**** do autocarro", mas o público não se mostrou muito caloroso. Isso não a esmoreceu. Quando canta, desliga do resto. E como ela sabe cantar os sentimentos humanos, o amor (sempre o amor), a solidão. Gostei do facto de não se restringir, de todo, aos álbuns, sendo inventiva ao vivo, com mais electricidade, mais rapidez (sem ser, contudo, apressada).

Para o fim, e após saírem os restantes elementos da banda que a acompanhava, fica em palco, sozinha com a sua guitarra, meia luz, e lá vem essa canção maior que a vida que é Iota. E posso dizer, como não me aconteceu assim tantas vezes, que ao vivo, em completo silêncio (mais uma vez, parabéns a todos os que lá estiveram, pois sabiam ao que iam), é ainda melhor do que em disco. E os pelinhos do braço lá se arrepiaram todos, e nunca vou conseguir voltar a ouvir a música sem pensar que ao vivo é ainda melhor.

Ainda havia espaço para uma magistral interpretação de White Fire (fantástico como consegue aguentar uma canção daquelas, com tantos silêncios, espaços, sem nunca a deixar cair). Teria sido o fim do concerto, não fossem os presentes insistirem e ela voltar, agora já com banda, para fechar com uma última canção.

Não deu para a pedir em casamento (até porque sei qual seria a resposta), mas deu para me dar muito boas recordações, e para acrescentar mais uns momentos à lista dos melhores de sempre. Obrigado Angel! Por mim, estás à vontade, eu agora só ando de comboio!