Já foi no dia 8, eu nada digo desde o dia 20.08, foi depois anunciado um concerto "surpresa" no dia 9 (aí sim, na verdadeira ZdB), mas não consigo ficar calado. A Angel Olsen deu um concerto do caraças, a sua voz é portentosa e magnífica (diria até que tem o seu quê de fadista), a banda e
mais do que competente, e, já disse que quando ela canta, devia ser proibido todo e qualquer som que não o da sua voz? Não. Então digo agora: devia ser proibido todo e qualquer som que não a voz da Angel Olsen quanto ela canta.
A "sala" (pátio) que alberga a Trienal de Arquitectura de Lisboa (o mesmo espaço onde Rodrigo Amarante tocou o ano passado) estava cheio, noite amena, tudo sentadinho à espera da estreia desta Menina Senhora em Portugal (na verdade, em Lisboa, pois dois dias antes tocou em Guimarães). Atrasou-se ligeiramente, mas nada de grave. Não, não deixou Hi-Five (a canção sobre a solidão mais festiva de todos os tempos) para o fim (serviu-a logo como segunda música) e foi intervalando o primeiro com o segundo álbum. Houve Lights Out, Forgiven/Forgotten, Sweet Dreams, Unfucktheworld, Acrobat, etc.
Ao contrário do que eu estava à espera, o público não se mostrou muito conversador. Ela bem tentou, lançou piadas sobre outros concertos, onde as pessoas pedem "toca aquela, despacha-te, tenho de apanhar o autocarro", etc, e onde ela disse "se vives para o autocarro, apanha a m**** do autocarro", mas o público não se mostrou muito caloroso. Isso não a esmoreceu. Quando canta, desliga do resto. E como ela sabe cantar os sentimentos humanos, o amor (sempre o amor), a solidão. Gostei do facto de não se restringir, de todo, aos álbuns, sendo inventiva ao vivo, com mais electricidade, mais rapidez (sem ser, contudo, apressada).
Para o fim, e após saírem os restantes elementos da banda que a acompanhava, fica em palco, sozinha com a sua guitarra, meia luz, e lá vem essa canção maior que a vida que é Iota. E posso dizer, como não me aconteceu assim tantas vezes, que ao vivo, em completo silêncio (mais uma vez, parabéns a todos os que lá estiveram, pois sabiam ao que iam), é ainda melhor do que em disco. E os pelinhos do braço lá se arrepiaram todos, e nunca vou conseguir voltar a ouvir a música sem pensar que ao vivo é ainda melhor.
Ainda havia espaço para uma magistral interpretação de White Fire (fantástico como consegue aguentar uma canção daquelas, com tantos silêncios, espaços, sem nunca a deixar cair). Teria sido o fim do concerto, não fossem os presentes insistirem e ela voltar, agora já com banda, para fechar com uma última canção.
Não deu para a pedir em casamento (até porque sei qual seria a resposta), mas deu para me dar muito boas recordações, e para acrescentar mais uns momentos à lista dos melhores de sempre. Obrigado Angel! Por mim, estás à vontade, eu agora só ando de comboio!
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