A primeira vez que fui ao Alive foi em 2009, na sua 3ª edição. Tinha um objectivo muito definido - ver os Gaslight Anthem. Era a primeira (e mantém-se a única) vez que vinham a Portugal. Tinham lançado em 2008 o seu segundo álbum -
The 59'Sound. Ainda hoje é um dos meus álbuns favoritos, e na altura então não me saía da cabeça. Cerca de um mês antes tinham tocado em Glastonbury, com o Bruce Springsteen a juntar-se a eles para tocar essa magnífica "59'Sound". Eu tinha a esperança irrealista de que ele viria cá fazer o mesmo.
As minhas primeiras dúvidas (embora eu soubesse que iria) em estar ou não presente colocaram-se quando saíram os horários. Os Gaslight tocariam no palco "secundário" (o que até era bom) e seriam os primeiros do dia, antes até de que uns gajos quaisquer que tinham ganho um qualquer programa, e que nunca ninguém mais ouviu falar. Bem esprimidinho, daria para uns 40 minutos de concerto. Compensava-me pagar 50 euros para ver 40 minutos de Gaslight? O resto do dia nem me interessava por aí além. Havia, que me interessasse minimamente, os Placebo, os Does It Offend you Yeah? (que ao vivo são péssimos - muita gritaria e pouca música), os Prodigy, os Kooks (que na altura ainda me diziam alguma coisa), Blasted Mechanism (sempre entusiasmantes ao vivo), mas nada que eu dissesse "40 minutos de Gaslight e isto e chega e sobra!". Mas eu tinha de ver os Gaslight.
Fui para lá, relativamente cedo, sem bilhete. Até começou bem - o bilhete custou-me € 30,00, em vez de € 50,00. A partir daí só podia ser bom.
O concerto começava às 17h00. Não eram muitos os presentes, e os que lá estavam, na maior parte dos casos, era gente como eu - estávamos ali para ver o quarteto que partilha a mesma cidade natal que o Boss. Ainda para mais todos tínhamos um bom lugar. Seria um concerto entre amigos.
O concerto, verdade seja dita, não foi o melhor de sempre, mas ainda assim longe de não valer a pena. Foi (o tempo não dava para mais) sempre a abrir, sem espaço para muita coisa. Mas teve muito bons apontamentos - a "59'Sound" esteve lá, a "Casanova, Baby", "Miles Davis & The Kool", "Great Expectations" ou a "Backseat" a fechar. Não houve muita conversa, mas eu também confesso que (tirando algumas excepções) muita da conversa tira espaço para mais músicas, e não acrescentam nada ao concerto.
Mas uma das minhas músicas favoritas dos Gaslight Anthem é a "1930". E eu queria mesmo ouvir essa música. Sabia que não a andavam a tocar com regularidade, mas em casos pontuais o faziam. E
fanboy como sou (sim, qual é o problema? Desde que não seja de forma fanática...), imprimi numa folha A4, a bold, tamanho bem grande, os números "1930". Acho que se percebia a mensagem. Entre músicas, lá levantava eu a folhinha, na esperança de perceberem o quanto eu a queria ouvir.
Lá para o meio, o Brian Fallon (e não é que este gajo faz anos no mesmo dia que eu?), o vocalista, tira todas as minhas dúvidas, se estavam a fazer que não viam, ou se não queriam ver. "Sorry, man, we haven't played that for a while. Sorry. Maybe next time." Sim, não tocaram mesmo.
Se deixei de gostar deles? Não, claro que não. O facto de terem pedido desculpa e de se terem dirigido a mim (estupidez! o que estou para aqui a dizer?) para mim foi como se a tivessem tocado. E continuo à espera da "next time". Todos os anos espero que aconteça. Talvez seja este ano. Maybe.
Para mim, será sempre "daquela vez em que eu fui ao Alive ver os Gaslight e eles não acederam ao meu pedido para tocar a 1930".
Os Gaslight têm agora uns 4 ou 5 álbuns, mas os últimos não chegam (apesar de não serem maus) ao requinte dos dois primeiros. As letras são fantásticas, conseguem ter canções rápidas, lentas, lentas e rápidas na mesma música, no fundo são de New Jersey, como o Bruce. Podem dar-lhes uma oportunidade, por favor?
You said I love you more than the stars in the sky,
(Nobody does it like you anymore)
But your name just escapes me tonight.
in 1930
Gaslight Anthem