segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Decisões



Why won't you make up your mind?
Give me a sign!
Why won't you make up your mind?
Give me a sign!
Am I wasting my time living in my head?
You'll be sorry when I make up mine instead
in Why Won't You Make Up Your Mind?
Tame Impala

Alternativo

"Smells Like Teen Spirit é um disco clássico de rock 'alternativo'. Isso requer algumas explicações: 'alternativo' é um termo de marketing destinado a satisfazer as exigências elitistas dos consumidores, ao mesmo tempo que alerta os gestores para o facto de as vendas poderem não igualar as extravagâncias ilimitadas do mainstream do mercado rock. Acima de tudo, o selo 'alternativo' é uma forma de controlo. Classifica um disco como demasiado ruidoso ou violento para estações de rock 'adultas', que podem saber lidar com os U2, mas não com a fúria das guitarras de uma juventude esfaimada. Mas o simples facto de um disco ser aceite para radiodifusão 'alternativa' ou emissão televisiva mostra que não é uma ameaça directa à filosofia estabelecida da estação. Os discos genuinamente subversivos - que não se moldam às expectativas dos públicos, ou que desafiam tabus estabelecidos, sejam eles sociais, sexuais ou políticos - não têm sequer o estatuto de alternativos; não passam, de todo, na rádio."
in Nirvana & O Som de Seattle p. 156
Brad Morrell

Acho que nunca tinha visto o conceito de 'alternativo' na música tão bem explicado como por este senhor. A explicação data de 1993 e, apesar de algumas alterações na forma de se fazer/ouvir música, mantém-se praticamente intacta. 

Eu nunca gostei do conceito 'alternativo'.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Estar à espera ou procurar


Este pseudo-blog faz hoje um ano, e tem hoje mais leitores do que quando começou. O crescimento deve andar na ordem dos 100%. Antes era só eu que o lia. Agora devem ser para cima de 4 pessoas.

Obrigado a vocês por perderem aqui um bocadinho da vossa vida (ninguém vos devolve esse tempo de vida, ok?). Vocês sabem quem são. :)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

No Shade in the Shadow of the Cross



Só sai em Março, mas já podemos ouvir a primeira canção do novo álbum de Sufjan "o melhor de todos os tempos" Stevens. Chama-se "No Shade in the Shadow of the Cross" e sim, é um regresso ao som mais folk e puro a que nos habituou (mas a vertente electrónica é igualmente boa!). É fantástica, silenciosa, triste. Acho que é fácil saber que estará nos melhores do ano (e automaticamente nos melhores de sempre).

Não temais!

O Primavera continuará a ser Primavera, pelo menos em 2015 (e 99% de certezas de que em 2016 também, e 2017...). Pelo menos para mim.

Não tem cabeças de cartaz dignos desse nome? Não, no modelo a que estamos habituados, não tem. Não tem propriamente nomes imediatos, de causarem falatório. Mas em 2015 (em especial, mas numa tendência que tem sido notória nos últimos anos), são cada vez menos as bandas capazes de assumir tal rótulo. Basta ver os cartazes da maior parte dos festivais europeus e americanos. Mas o Primavera nunca foi propriamente um festival que vivesse de headliners. Obviamente que é um festival, e por mais que seja feito por pessoas que vestem a camisola, que gostam de música acima de tudo, precisa de vender bilhetes. Ponto. E, tirando algumas excepções, não será com Einsturzende Neubauten ou Xylouris White que o conseguem. Mas com um grande leque de bandas de "2ª linha" (falamos em termos de exposição mediática, para mim são bandas de 1ª linha) talvez o consigam. E foi isso que fizeram na edição deste ano. Pode ser uma questão cerebral, mas fiquei contentissimo com o cartaz da edição do Porto, o que com a edição de Barcelona não aconteceu (fiquei apenas satisfeito), e os nomes do Porto estão praticamente todos em Barcelona! Mas a peneiração (esta palavra é capaz de não existir) foi tão bem feita, que o que calhou ao Porto é um conjunto forte, um cartaz sólido.

E há nomes para (quase) todos os gostos: desde os metaleiros Electriz Wizard e Pallbearer, aos delicados Antony e os seus Johnsons (concertos exclusivos e únicos em todo o ano para o Primavera), José Gonzaléz (que esgotou o concerto de Lisboa de dia 19.02) e Damien Rice (que pelas minhas contas apenas esteve em Portugal uma vez, a fazer a 1ª parte dos Lamb em 2003), dos dançáveis Caribou e Underworld (a recriarem, 20 anos depois, dubnobasswithmyheadman) aos históricos The Replacements, Patti Smith (em dose dupla) e os Ride. Já nem falo nos meus favoritos Belle & Sebastian e Death Cab for Cutie (que estarão no Porto e não em Barcelona), na malta nova (Ought, Mikal Cronin, Mac DeMarco, JUNGLE, Foxygen), no hip-hop do bom de Run the Jewels, entre muita outra coisa. Até as propostas nacionais são boas (Bruno Pernadas, Banda do Mar e Manel Cruz - sim, esse mesmo, dos Ornastos Violeta, que vai apresentar um concerto especial, que passará por toda a sua carreira). Propostas não faltam. E ainda há tempo suficiente para se estudar o que não se conhece.

Só nos resta celebrar haver um festival que, acima de outros interesses, pretende fazer dinheiro com cartazes consistentes. Não tem Black Keys e Strokes como Barcelona? Não, não tem. Paciência. Estiveram cá à pouco tempo. No meu caso, fico contente de olhar para o cartaz, e nunca ter conseguido ver nenhum dos nomes. Isso não acontece todos os dias.

Primavera, podem contar com esta andorinha!

O cartaz, em termos gráficos, até ficou engraçado (com o sol, e a relva em baixo, e tal). Mas a forma como colocaram os nomes...mehh

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Daquela vez em que eu...

A primeira vez que fui ao Alive foi em 2009, na sua 3ª edição. Tinha um objectivo muito definido - ver os Gaslight Anthem. Era a primeira (e mantém-se a única) vez que vinham a Portugal. Tinham lançado em 2008 o seu segundo álbum - The 59'Sound. Ainda hoje é um dos meus álbuns favoritos, e na altura então não me saía da cabeça. Cerca de um mês antes tinham tocado em Glastonbury, com o Bruce Springsteen a juntar-se a eles para tocar essa magnífica "59'Sound". Eu tinha a esperança irrealista de que ele viria cá fazer o mesmo.

As minhas primeiras dúvidas (embora eu soubesse que iria) em estar ou não presente colocaram-se quando saíram os horários. Os Gaslight tocariam no palco "secundário" (o que até era bom) e seriam os primeiros do dia, antes até de que uns gajos quaisquer que tinham ganho um qualquer programa, e que nunca ninguém mais ouviu falar. Bem esprimidinho, daria para uns 40 minutos de concerto. Compensava-me pagar 50 euros para ver 40 minutos de Gaslight? O resto do dia nem me interessava por aí além. Havia, que me interessasse minimamente, os Placebo, os Does It Offend you Yeah? (que ao vivo são péssimos - muita gritaria e pouca música), os Prodigy, os Kooks (que na altura ainda me diziam alguma coisa), Blasted Mechanism (sempre entusiasmantes ao vivo), mas nada que eu dissesse "40 minutos de Gaslight e isto e chega e sobra!". Mas eu tinha de ver os Gaslight.

Fui para lá, relativamente cedo, sem bilhete. Até começou bem - o bilhete custou-me € 30,00, em vez de € 50,00. A partir daí só podia ser bom.

O concerto começava às 17h00. Não eram muitos os presentes, e os que lá estavam, na maior parte dos casos, era gente como eu - estávamos ali para ver o quarteto que partilha a mesma cidade natal que o Boss. Ainda para mais todos tínhamos um bom lugar. Seria um concerto entre amigos.

O concerto, verdade seja dita, não foi o melhor de sempre, mas ainda assim longe de não valer a pena. Foi (o tempo não dava para mais) sempre a abrir, sem espaço para muita coisa. Mas teve muito bons apontamentos - a "59'Sound" esteve lá, a "Casanova, Baby", "Miles Davis & The Kool", "Great Expectations" ou a "Backseat" a fechar. Não houve muita conversa, mas eu também confesso que (tirando algumas excepções) muita da conversa tira espaço para mais músicas, e não acrescentam nada ao concerto.

Mas uma das minhas músicas favoritas dos Gaslight Anthem é a "1930". E eu queria mesmo ouvir essa música. Sabia que não a andavam a tocar com regularidade, mas em casos pontuais o faziam. E fanboy como sou (sim, qual é o problema? Desde que não seja de forma fanática...), imprimi numa folha A4, a bold, tamanho bem grande, os números "1930". Acho que se percebia a mensagem. Entre músicas, lá levantava eu a folhinha, na esperança de perceberem o quanto eu a queria ouvir.

Lá para o meio, o Brian Fallon (e não é que este gajo faz anos no mesmo dia que eu?), o vocalista, tira todas as minhas dúvidas, se estavam a fazer que não viam, ou se não queriam ver. "Sorry, man, we haven't played that for a while. Sorry. Maybe next time." Sim, não tocaram mesmo.

Se deixei de gostar deles? Não, claro que não. O facto de terem pedido desculpa e de se terem dirigido a mim (estupidez! o que estou para aqui a dizer?) para mim foi como se a tivessem tocado. E continuo à espera da "next time". Todos os anos espero que aconteça. Talvez seja este ano. Maybe.

Para mim, será sempre "daquela vez em que eu fui ao Alive ver os Gaslight e eles não acederam ao meu pedido para tocar a 1930".

Os Gaslight têm agora uns 4 ou 5 álbuns, mas os últimos não chegam (apesar de não serem maus) ao requinte dos dois primeiros. As letras são fantásticas, conseguem ter canções rápidas, lentas, lentas e rápidas na mesma música, no fundo são de New Jersey, como o Bruce. Podem dar-lhes uma oportunidade, por favor?
You said I love you more than the stars in the sky,
(Nobody does it like you anymore)
But your name just escapes me tonight.
in 1930
Gaslight Anthem

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Paris

"- Nós aqui não sabemos viver - dizia Piotr Oblonski. - Eu passei o Verão em Baden, e acredites ou não, sentia-me como um jovem. Via uma mulher jovem, e os pensamentos... Comemos, bebemos um pouco - e sentimos força, vigor. Cheguei à Rússia, tive de ir ver a minha mulher, e ainda por cima ao campo - bem, nem acreditas, ao fim de duas semanas vesti o roupão, deixei de mudar de roupa para o jantar. E as jovens, nem pensar! Tornei-me um autêntico velho. Só me resta a salvação da alma. Fui para Paris - de novo recuperei."

in Anna Karénina, p. 736
Lev Tolstoi

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Daquela vez em que eu...

Os Walkmen tornaram-se uma das minhas bandas favoritas desde que os ouvi pela primeira vez numa série chamada OC (não sei se já ouviram falar...), lá para o ano de 2006. Tocaram nessa mesma série (era uma série de ricos onde era aprofilhado um menino pobre, que depois se apaixona por uma menina rica, e que tem por melhor amigo/"irmão" um gajo que é rico, mas que não gosta de burgueses, e que tem um gosto musical/literário do melhor que há) duas músicas do Bows&Arrows, mas foi a "What's in it for me" que me prendeu imediatamente (estou neste momento a cantarolar uma das melhores músicas de corno de sempre).

Só explodiram em Portugal (e penso que em muitos outros sítios) aquando do "terceiro" álbum (lançaram mais pelo caminho, mas não eram bem álbuns), You&Me. Foi por altura do seu lançamento, em 2008, que vieram a Portugal para tocar na primeira edição do Super Bock em Stock (hoje conhecido por Vodafone Mexefest). Dizem os relatos que encantaram um Teatro Tivoli completamente esgotado (até me lembro de ler na Blitz que até o Camané por lá andava). Não, eu não pude ir, para grande tristeza minha.

Mas não tardaram a regressar. Foi a 18 de Julho de 2009, num Estádio do Restelo que só queria ouvir a estreia dos Killers em Portugal, pela mão do Super Bock Super Rock. Foram os segundos da tarde/noite a tocarem. Sim, poucos foram os que lhes prestaram atenção. Mas eu prestei. E mais uns quantos que lá foram de propósito (ainda me lembro de ver um gajo de cabelos compridos, já com uns 27/30 anos, que chamava por eles, e depois gritava "Killers é m***a" e eu dizia "eehhhh não é preciso tanto!!"). O concerto não foi o melhor de sempre, mas deu para ver a excelente banda ao vivo que eram (são?). E para além disso foi a única vez que os vi tocar a "Thinking of a dream I had" (e estou neste momento a tocar mentalmente aquela bateria que faz lembrar lembrar um comboio dos antigos a iniciar a marcha, cada vez mais acelerado).

Aquele festival, num estádio, não tinha as mínimas condições para albergar um festival. As casas de banho eram mínimas, e estavam pessimamente situadas. Mas foi graças à sua localização que fiquei a conhecer o guitarrista dos Walkmen, Paul Maroon. Alguém do meu grupo tinha ido à casa de banho (ou estava na fila interminável para) e a zona (praticamente descoberta) do backstage ficava lá perto. E eis que lá estão a passar alguns dos elementos dos Walkmen, a carregarem o seu material (working bands!). O Paul chegou-se perto das barreiras, para cumprimentar umas raparigas francesas que ali estavam (sim, meti conversa com elas, e estavam a passar férias em Lisboa, e ficaram a saber que os Walkmen tocavam cá, e foram ao festival só para os ver, e depois iam-se embora). E eu aproveitei a situação para trocar umas palavrinhas com ele. Elogiei-os e pedi-lhes que voltassem, mas para tocarem numa sala fechada, onde pudessem tocar à vontade. E falámos de futebol. E de Lisboa. E aproveitei e (sim, fanboy!! e então?) tirei umas fotografias para perpetuar o momento. E foi depois destes dois concertos que, em 2010, surgia um álbum chamado Lisbon. Vá-se lá saber porquê. Por acaso até se sabe (sim, é um tributo à cidade que tão bem os acolheu, e que de alguma forma os conquistou - é procurarem por aí as entrevistas).

Sim, ainda me lembro daquela vez em que eu conheci o Paul Maroon dos Walkmen. Não é grande história, nem emociona ninguém, mas gosto de a contar.


O video é mau, não tem qualidade nenhuma, mas foi o melhor que encontrei no Youtube para exemplificar esse dia. Procurem por uma versão de estúdio da canção, e entenderão quão fantásticos são os Walkmen. Se precisarem de mais dicas de músicas, é só pedirem.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Hoje, mais do que qualquer outro dia

Confesso que só ontem ouvi esta música pela primeira vez. Ela já tem uns meses, é verdade, mas eu não a conhecia. E tenho pena, porque ela é irresistível. Quando a oiço, fico com vontade de andar aos encontrões (daqueles em que demonstramos felicidade), diria que sou feliz nos 5 minutos que ela dura. Tem uma linha de baixo fantástica, em certos momentos faz-me lembrar os Television, alguma juventude a dizer que ainda está viva. Eu também. Hoje mais do que em qualquer outro dia.



And today, more than any other day
Look into the eyes of the old man on the train and say
"Well everything is going to be ok"
(...)
Everything is going to be ok
Together
Today
Together
Today
Together
OK
in Today More Than Any Other Day
Ought