segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Não temais!

O Primavera continuará a ser Primavera, pelo menos em 2015 (e 99% de certezas de que em 2016 também, e 2017...). Pelo menos para mim.

Não tem cabeças de cartaz dignos desse nome? Não, no modelo a que estamos habituados, não tem. Não tem propriamente nomes imediatos, de causarem falatório. Mas em 2015 (em especial, mas numa tendência que tem sido notória nos últimos anos), são cada vez menos as bandas capazes de assumir tal rótulo. Basta ver os cartazes da maior parte dos festivais europeus e americanos. Mas o Primavera nunca foi propriamente um festival que vivesse de headliners. Obviamente que é um festival, e por mais que seja feito por pessoas que vestem a camisola, que gostam de música acima de tudo, precisa de vender bilhetes. Ponto. E, tirando algumas excepções, não será com Einsturzende Neubauten ou Xylouris White que o conseguem. Mas com um grande leque de bandas de "2ª linha" (falamos em termos de exposição mediática, para mim são bandas de 1ª linha) talvez o consigam. E foi isso que fizeram na edição deste ano. Pode ser uma questão cerebral, mas fiquei contentissimo com o cartaz da edição do Porto, o que com a edição de Barcelona não aconteceu (fiquei apenas satisfeito), e os nomes do Porto estão praticamente todos em Barcelona! Mas a peneiração (esta palavra é capaz de não existir) foi tão bem feita, que o que calhou ao Porto é um conjunto forte, um cartaz sólido.

E há nomes para (quase) todos os gostos: desde os metaleiros Electriz Wizard e Pallbearer, aos delicados Antony e os seus Johnsons (concertos exclusivos e únicos em todo o ano para o Primavera), José Gonzaléz (que esgotou o concerto de Lisboa de dia 19.02) e Damien Rice (que pelas minhas contas apenas esteve em Portugal uma vez, a fazer a 1ª parte dos Lamb em 2003), dos dançáveis Caribou e Underworld (a recriarem, 20 anos depois, dubnobasswithmyheadman) aos históricos The Replacements, Patti Smith (em dose dupla) e os Ride. Já nem falo nos meus favoritos Belle & Sebastian e Death Cab for Cutie (que estarão no Porto e não em Barcelona), na malta nova (Ought, Mikal Cronin, Mac DeMarco, JUNGLE, Foxygen), no hip-hop do bom de Run the Jewels, entre muita outra coisa. Até as propostas nacionais são boas (Bruno Pernadas, Banda do Mar e Manel Cruz - sim, esse mesmo, dos Ornastos Violeta, que vai apresentar um concerto especial, que passará por toda a sua carreira). Propostas não faltam. E ainda há tempo suficiente para se estudar o que não se conhece.

Só nos resta celebrar haver um festival que, acima de outros interesses, pretende fazer dinheiro com cartazes consistentes. Não tem Black Keys e Strokes como Barcelona? Não, não tem. Paciência. Estiveram cá à pouco tempo. No meu caso, fico contente de olhar para o cartaz, e nunca ter conseguido ver nenhum dos nomes. Isso não acontece todos os dias.

Primavera, podem contar com esta andorinha!

O cartaz, em termos gráficos, até ficou engraçado (com o sol, e a relva em baixo, e tal). Mas a forma como colocaram os nomes...mehh

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