Hoje fui ao Museu Nacional de Arte Antiga, ver a exposição "Rubens, Brueghel, Lorrain - A Paisagem Nórdica do Museu do Prado". Estava espantado com um "simples" quadro de Jan Brueghel, o Velho, a meias com Joos de Momper, de seu título "Mercado e Lavadouro na Flandres", quadro este do qual nunca tinha ouvido falar. De um lado, o mercado. Do outro, a roupa a secar e a corar, como explicado na legenda do quadro. A separar estas duas situações, uma grande árvore. Eu estava fascinado.
A meu lado aproxima-se um senhor já algo idoso, perto dos seus 80 anos, barbas brancas, um pouco marreco. As suas palavras são: "Espectacular!". Fala baixinho, julgo que com a sua neta (confesso que também ela me chamou à atenção), dissertando um pouco sobre o quadro, as cores, a floresta, mas consigo apanhar outra expressão dele como "impressionante!". O quadro fascinou-me mas a alegria do senhor comoveu-me.
Não sendo nenhum entendido (nem pouco mais ou menos), não posso deixar de (independentemente da relevância dos quadros expostos) elogiar as entidades que trouxeram algo assim a Portugal. Parece-me ser um bom exemplo das chamadas parcerias público-privadas (ver em que bases aqui). Para quem gosta de museus, arte, pintura, falhar a exposição é dizer não a mais iniciativas destas (digo eu na minha radicalidade, pois a exposição ainda são 6 euros).
Sinto-me, no entanto, algo enganado, não pelo que é exposto, mas pelos três pintores escolhidos para lhe dar nome. De Lorrain, que eu contasse, estão lá apenas 2 quadros; de Rubens, apenas 1, a que se juntam 2 em parceria. Os Brueghel são os únicos (entre Velho e Novo) largamente representados. Mas percebo o recurso a estes 3 nomes: os restantes pintores retratados não são tão conhecidos, e dizer apenas que os quadros vinham do Prado podia não ser suficiente. Ainda assim, são 57 os quadros apresentados, e razões para contentamento não faltam.
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