segunda-feira, 20 de abril de 2015

A única coisa

Certas músicas têm o poder de, quando as ouvimos pela primeira vez, fazerem com que larguemos o que estávamos a fazer para apenas nos concentrarmos na música. Mais ou menos como quando passa uma rapariga daquelas de uma num milhão, e apenas conseguimos olhar para ela (não lascivamente, está bem?). Normalmente são as mesmas músicas que fazem com que, enquanto as ouvimos, mais nada exista. Não intencionalmente. Apenas acontece. Somos apenas nós e a música. São músicas que expressam luz e escuridão de forma tão magnífica que nem sabemos bem o que dizer. Daquelas de fazer chorar. Mas não por ser lamechas. Apenas a carga emocional contida nela é tal que pode acontecer.

O Sufjan Stevens tem várias destas. Mas a que aqui deixo é digna de pertencer aos Direitos Humanos. Acho que todo e qualquer ser humano deveria, pelo menos uma vez na vida, poder escutá-la. Pode parecer estúpido o que estou para aqui a dizer, quando os naufrágios no Mediterrâneo passam a "mais um" (mesmo que esse mais um tenham sido quase 700 pessoas), um puto com 14 anos mata o professor e fere mais três pessoas por ter sido chamado à atenção devido a um atraso e um ataque numa Universidade no Quénia onde morrem 150 jovens não merece mais do que 60 segundos de reportagem no telejornal. Eu só gostava que nos déssemos todos bem. E que tudo fosse mais fácil.


Do I care if I survive this? Bury the dead where they're

The only reason why I continue at all
Faith in reason, I wasted my life playind dumb

Shoul I tear my eyes out now?
Everything I see returns to you somehow
Should I tear my heart out now?
Everything I feel returns to you somehow
in The Only Thing
Sufjan Stevens

Como já aqui disse, gosto de distorcer as letras das músicas para as aplicar àquilo que quero. Como faço com quase tudo o que me dizem. Faço-o também com esta. Tanto se me dá que me chamem de dramático, calimero, estranho ou anormal. E não, acho que não é uma música romântica. É do último álbum deste senhor: Carrie&Lowell. Toca em Barcelona e Madrid a 29 e 30 de Setembro. Portugal nada.

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