domingo, 3 de maio de 2015

Daquela vez em que eu...

2006, 26 Novembro, Coliseu dos Recreios. Talvez tenho sido o primeiro concerto "oficial" a que fui. E foi para ver os Gotan Project. E acho que dificilmente haveria melhor forma para começar.

São, digamos, uma fusão de tango com música electrónica, aquilo que alguns chamam de cibertango. Só escutado, mas acho que se consegue ter uma ideia. O nome "Gotan" vem da troca das sílabas da palavra Tango (Tan-go vai dar Go-tan - isto deve ter um nome mas eu não sei qual é). Passados 14 anos da edição do primeiro álbum, e 9 do segundo, e 4 do terceiro, chegamos à conclusão de que a fórmula não terá muito mais por onde evoluir, mas os dois primeiros álbuns, especialmente o primeiro (La Revancha del Tango), são qualquer coisa, daquelas de, quando ouvimos pela primeira vez, ficarmos "o que é isto? Isto é muito bom!!".

Não me lembro de como os descobri, mas não quis perder a oportunidade de os ver, ainda para mais estando a promover o segundo álbum Lunático.

Lembro-me que tinham estado em Portugal não à muito tempo. Mas de vez em quando (e acho que isso também deve acontecer noutros países), cai-nos no goto determinada banda/artista, sem motivos "objectivos". Os Gotan Project são um desses casos. Podiam vir duas ou três vezes por ano, que o concerto teria casa cheia.

Não me recordo se o concerto estava esgotado, mas que estava cheio estava. E eu não tinha bilhete. Mas ainda assim entrei pela porta principal. Na altura a minha prima namorava com aquele que hoje é o seu marido, que por acaso tinha (tem) um irmão que trabalhava no Coliseu. Lembro-me de lá chegarmos, e ele, como se não nos conhecesse, nos recebe como se fossemos uns VIP's quaisquer, encaminhando-nos para o elevador. Aí pica uns "bilhetes" em branco e diz-nos "vocês agora vão sempre em frente, que ninguém vos vai perguntar nada". E assim foi. Lá entrámos, sem qualquer problema, para uma das noites das quais nunca me hei de esquecer.

Nesse mesmo concerto, um dos pontos altos foi quando Sam the Kid (sim, esse mesmo) participa na "Mi Confesíon", quase levando o Coliseu abaixo. Sim, tango, música electrónica e hip-hop. Irresístivel.
Não é só a música que marca os seus concertos. São os vídeos a acompanhar as músicas, a indumentária, as vozes das senhoras que os acompanham, as danças. É um espectáculo que não precisa de fogo de artificio como outros precisam (para distrair da música fraca).

Voltei a ver os Gotan Project em 2008, desta vez no Campo Pequeno. Foram concertos diferentes (é algo que eles conseguem fazer como ninguém, mesmo que as músicas sejam as mesmas), mas ambos fantásticos. Foi como se aquilo se tivesse transformado numa pista de dança gigantesca. Já cá voltaram depois disso, mas por conflitos de agenda, de t€mpo, ou por qualquer outro motivo, não compareci. Prometo fazê-lo na próxima.

Haveria melhor forma de começar este vício de que um concerto "gratuito" dos Gotan Project?


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