Em Outubro eram colocados os primeiros 1000 bilhetes à venda, que voaram em 24 horas. Em Novembro saíam os primeiros nomes, com, entre outros, Bjork logo à cabeça (e que haveria de cancelar umas semanas antes), Yo La Tengo e, cada vez que me lembro da minha reacção, JEFF MANGUM (o mentor dos Neutral Milk Hotel, adormecidos na altura desde 1998, e que eu nunca esperei ver ao vivo). Meia-dúzia de dias depois, eram anunciados os Walkmen e os Shellac. Um dia depois saíam WILCO (2ª vinda a Portugal), The Drums, Washed Out, e eu só pensava onde é que o cartaz iria parar. Era cada tiro, cada melro. Dias depois a bomba que me vez adiantar o valor do bilhete com mais de seis meses de antecedência: Death Cab for Cutie! (estreia absoluta em Portugal), Explosions in the Sky (regresso passado uns 9 anos), The XX, Beach House...
O cartaz não estava minimamente fechado mas esta primeira edição, para mim, já prometia ser memorável. Os Death Cab for Cutie (DCFC) estreariam-se finalmente em Portugal! Uma banda com uns 15 anos de carreira, álbuns memoráveis, a referência de qualquer xoninhas que acha que ninguém gosta dele (que melhor banda para eu ter por referência?), pela primeira vez aqui pelo burgo! E os Explosions in the Sky, para eu poder extravasar a ouvir músicas cheias de "esperança e positivismo" como "Greet Death", "The Birth and Death of the Day", "The Moon is Down", entre tantas outras! E os Wilco! E os Walkmen! E os Yo La Tengo! Tudo bandas que me conhecem melhor do que os meus melhores amigos! Ainda me lembra de andar histérico em casa, a pegar em todos os CD's de bandas que lá iam, e correr para a minha mãe e dizer (era a melhor forma de explicar o meu contentamento): "Mãe!!! Vão lá estes todos!!" E os CD's quase que não me cabiam nas mãos.
Escusado será dizer que comprei o bilhete, ainda com um preço especial. Foram 75 euros, dados em Dezembro de 2011, sem qualquer pestanejamento.
Os meses foram passando, o cartaz foi sendo encerrado (e lá me deram mais bónus como M83, The Rapture, Linda Martini, The War on Drugs, I Break Horses, Atlas Sound...), a impaciência positiva aumentando. Mas o Primavera Sound também tem, dado os enormes cartaz que constrói, algum histórico de cancelamentos. Primeiro foram os Death Grips e os Ultramagnetic MC's, depois foi a Bjork (estava, se bem me lembro, com uma infecção na garganta, que a levou a cancelar diversos concertos). Não me fizeram grande moça, confesso. Estava no estrangeiro quando fiquei a saber que os Explosions in the Sky também não estariam (devido a doença grave da mãe de um dos senhores). Fiquei chateado, mas o cartaz era bom demais para ser desastroso. Fariam falta, mas quando lá estivesse nem me lembraria deles.
O festival começou, tudo corria bem, até que chegou o 3º dia de concertos (último no Parque da Cidade). Choveu torrencialmente o dia todo. Apanhei, sem dúvida alguma, a maior molha da minha vida, para conseguir entrada para a Casa da Música (o concerto do Jeff Mangum seria lá, e a entrada era limitada). Mas consegui (e valeu a pena)!
Perdi os primeiros concertos do dia (para conseguir os tais bilhetes), mas também não me fez grande moça (queria ter visto Gala Drop, mas paciência). Era dia de DCFC! Arranquei para o palco, para conseguir um bom lugar (já lá estavam bastantes com o mesmo objectivo que eu). Já referi que choveu sem parar durante todo o dia? Tinha abrandado naquela altura, mas, e que erro de principiante!, o palco era descoberto por trás, o que significa que estava completamente alagado. Lá estávamos nós, a ver os senhores da organização a tentarem remediar a situação, colocando a cobertura atrás, secando o piso, varrendo a água...
Aproximava-se a hora prevista para o concerto, e logo se percebeu que iria começar atrasado (e continuava aquela chuva miudinha, dita molha-parvos - compreendo agora a alcunha). Passaram 10 minutos após a hora marcada, 15 minutos, 20 minutos e nada. Eu percebi que não haveria concerto, pelo menos não ali, e eu estava fulo, tal como tantos outros. Não era tanto por não haver concerto, mas sim pela situação em si. Havia previsão de chuva, não acautelaram a situação (resguardando a parte de trás do palco - os outros palcos estavam a funcionar bem) e sentiamo-nos enganados, pois ninguém se dignava a explicar que, dadas as circunstâncias, não poderia haver concerto. Como muitas vezes faço, baixei os braços e arranquei para o palco ATP, onde iriam tocar os I Break Horses (que dada a hora dos DCFC não conseguiria ver). O som não estava muito bom, e a própria sonoridade da banda pede uma sala onde não se percam os pequenos pormenores (escusado será dizer que não gostei muito do concerto). Fiquei depois a saber que finalmente alguém se tinha chegado à frente do palco onde os DCFC deveriam tocar para "anunciar" que não haveria concerto, como se ainda houvesse alguma esperança. Não, não foi grande dia. Para além de toda esta situação, o facto de estar encharcado (e depois até parou de chover), o anoitecer, o ter os ténis todos rotos e cheios de água e lama, o cansaço, fez com que não aproveitasse o resto do dia (ainda vi os Kings of Convenience, os The XX, The Weeknd, Washed Out). Foi um dia marcante, mas não de forma positiva.
Foi assim que a estreia em Portugal dos Death Cab for Cutie se limitou ao soundcheck (que sei de fonte segura que fizeram). A primeira edição, por excelente que tenha sido, será sempre marcada por aquele dia em que eu apanhei uma molha do caraças e ainda assim não vi os DCFC. O concerto, esse, mantém-se adiado até Junho, três anos depois do previsto.
É isto que faz do Primavera um festival especial - assim que houve oportunidade (mesmo que tenham sido 3 anos depois, e isso explica-se até porque os DCFC tocam poucas vezes na Europa), a organização faz questão de cumprir o que se propôs inicialmente (e daí que toquem apenas no Porto e não em Barcelona). Os Explosions in the Sky vieram no ano a seguir, sem terem qualquer tour marcada na Europa, e este ano os DCFC iniciam a tour por cá (aposto que não era isso o previsto).
Não, Primavera, daquela vez em que eu não vi os DCFC não abalou minimamente a nossa relação.
Deixo-vos a actuação deles no David Letterman, a mostrar o novo single. O novo album sai no final deste mês. E esta música promete. Vamos ver.
PS: O Ben Gibbard era casado com a Zooey Deschanel. Aposto que foi ela que o pôs a andar. Bitch. Não perdes as manias do 500 Days of Summer. Ainda assim, aceito casar contigo, se quiseres.
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