Na altura eu já não a ouvia com a regularidade de outros tempos, mas sempre a quis ver ao vivo. Speak for Yourself foi-me apresentado por uma série de TV que já aqui mencionei (sobre ricos e pobres, e essas coisas). Não deixando de ser acessível, mantinha-se muito independente na escrita e composição de canções, brincando com teclados, sintetizadores, autotune , electrónicas, fazendo um estilo muito próprio. "Hide & Seek", "The Moment I Said It", "Just for Now", "Let Go", "Speeding Cars" etc., eram tudo canções pop fantásticas. Comprei o bilhete na véspera, e lá me decidi a ir.
O concerto foi na Aula Magna, que cedo deu evidências de não encher. Estaria talvez meia sala. A cenografia já estava montada. Era simples, mas com muito bom gosto, com uma árvore branca no centro do palco, piano transparente e todos os instrumentos necessários em seu redor. A tela, bem como toda a iluminação, iria ao longo da noite embelezar as canções. Na 1ª e 2ª partes tocariam os projectos paralelos dos músicos que a acompanhavam nessa digressão. E seria ela a fazer questão de os introduzir. Em primeiro lugar tocava Ben Cristophers. Depois seriam os Geese (estes até me deixaram muito boa apresentação, e até comprei o 1º EP deles).
Entre Ben Cristophers e os Geese havia que preparar o palco e os instrumentos. Para fazer tempo, Imogen regressa ao palco, interage com o público, diz-se agrada de estar em Portugal, sempre brincalhona e bem disposta, e após um momento de silêncio, perguntou se alguém tinha alguma questão. Ninguém se dignou a fazer nenhuma, e o silêncio continuava. Como pessoa que não tem nada a perder, decidi tentar a minha sorte. Perguntei-lhe se queria casar comigo. Eu, como já devem ter notado, tenho uma facilidade enorme em pedir "desconhecidas" em casamento (já as que conheço, nem em namoro, quanto mais em casamento...). Ela, como bem humorada que é, entrou na brincadeira. Disse que o namorado já tinha regressado a Inglaterra, que se calhar eu tinha uma hipótese. Ainda hoje estou à espera. Mas ficou o pedido. E para todos os efeitos, nunca ninguém recusou um pedido meu de casamento.
Por fim, lá se iniciou o concerto da Imogen, daqueles à antiga, que se prolongou por mais de 2 horas. Lembro-me que o som da Aula Magna estava impecável (como aliás está quase sempre), o público era conhecedor, e a voz da Imogen (apesar de muitas vezes propositadamente trabalhada) soava tão bem ao vivo como em disco.
Sempre simpática, não quis que o concerto fosse apenas uma sequência monótona de canções, com uns obrigados pelo meio. Todas elas eram introduzidas com o "once upon a time" e algum facto interessante relativo à escrita da canção, com muito humor pelo meio. A setlist do concerto era feita pelos fãs, permitindo que músicas menos tocadas ao vivo pudessem ter lugar, algumas que ela tinha até dificuldade em iniciar.
Foi um concerto para o qual fui sem grandes expectativas, mas que me arrebatou por completo. E onde quase conseguia noiva. Foi daquela vez em que eu quase me casei.
Depois deste concerto nunca mais cá regressou. Terá sido pelo meu pedido de casamento?
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